Cidades inclusivas

O esforço de preparar as cidades para o envelhecimento

O Brasil já possui cidades e regiões onde a participação dos 60+ no total da população supera 20%, o que define uma população super-envelhecida segundo critérios internacionais. E isso exige políticas urbanas específicas para atender a esse público específico.

A longevidade da população brasileira torna-se um dos principais desafios da década e impõem às administrações municipais em todo o país a necessidade de uma jornada de decisões inéditas, de como devem enfrentar esse fenômeno demográfico, cada vez mais evidente em várias localidades.

Dados que chamam a atenção

56%

Esse foi o crescimento da população 60+ no Brasil entre os dois últimos Censos Demográficos do IBGE

3,8%

Taxa Geométrica de crescimento anual da população 60+ no país. Muito superior à taxa de crescimento populacional do Brasil, de 0,52%

32milhões

População 60+ no Brasil, o que representa 15,8% da população total. Acima de 14%, a OMS considera como uma população envelhecida

87,4%

População 60+ vivendo em áreas urbanas. O percentual de pessoas idosas nas cidades é semelhante à taxa de urbanização do país

Por que isso importa?

A mudança na estrutura etária exige programas de sensibilização de municípios, de modo a superar o imobilismo oficial na estruturação de políticas públicas adequadas a uma sociedade envelhecida.

As cidades precisam se preparar para um novo momento de sua história, agora com grande parte de suas populações de pessoas idosas. E terão que melhorar não só o atendimento de saúde e assistencial dessa população, mas a própria infraestrutura urbana.

Uma população envelhecida precisa de um tecido urbano adaptado, com pavimentos adequados, calçadas seguras, redução de velocidade de veículos, arborização, áreas de descanso, iluminação de calçadas e muito mais intervenções urbanísticas que no fim beneficiam todos os cidadãos.

Incentivos governamentais à reestruturação das cidades
Cidades inclusivas · Cidade Amiga

Incentivos governamentais à reestruturação das cidades.

O movimento "Cidade Amiga da Pessoa Idosa" — criado pela OMS em 2007, com participação de um brasileiro na direção do órgão internacional — retomou protagonismo no fim de 2025 como estratégia de preparação administrativa nos municípios. Prefeituras e sociedades locais estão sendo animadas a aderir à proposta. E a iniciativa tornou-se a Lei 15.476, em julho de 2026: o título de "cidade amiga da pessoa idosa" será conferido àquelas que se destacarem na adoção de políticas que visem reforçar a vida e a dignidade dos mais velhos. 

Não basta ter o título. É preciso fazer um esforço real de adaptar a vida nas cidades e os espaços urbanos às novas necessidades sociais de uma população envelhecida.

Ações da administração pública para municípios inclusivos

Apoio social

  • Espaços institucionais abertos, repartições públicas e edifícios adaptados
  • Apoio comunitário a pessoas isoladas, sozinhas e sem suporte familiar
  • Serviços de saúde com acessos e equipamentos adequados para a pessoa idosa
  • Ações de comunicação e informação plena sobre direitos sociais

Infraestrutura

  • Programas de incentivo à oferta e construção de moradias adequadas
  • Cadastro da pessoa idosa e registros de acompanhamento social das famílias
  • Transporte público acessível, seguro e confortável — com atendimento à mobilidade reduzida
  • Ruas, praças e parques acolhedores, sombreados e bem iluminados

Inclusão

  • Garantias de representatividade e incentivos à participação social
  • Estratégias de inclusão e participação nos debates públicos
  • Oportunidades de emprego e atividades profissionais para renda complementar
  • Espaços de convivência e promoção da intergeracionalidade

Por que isso importa?

Transporte

A pessoa idosa precisa de autonomia para deslocamentos urbanos — compras, serviços sociais e médicos. Veículos adaptados, transporte público acessível e áreas de transbordo seguras são essenciais.

Moradia

É preciso oferecer alternativas residenciais para todos os níveis de renda. Morar com a família pode ser uma solução, mas o melhor é sempre respeitar o nível de autonomia e independência da pessoa idosa.

Participação social

Após a aposentadoria, a pessoa idosa muitas vezes se isola e torna-se reclusa. As cidades devem oferecer infraestrutura que mantenha relacionamentos e engajamento em atividades comunitárias e produtivas.

Respeito e inclusão

Logradouros, repartições públicas e edifícios privados precisam considerar o acesso confortável a pessoas com restrições de mobilidade — prioridade no atendimento, acolhida e espaços de intergeracionalidade.

Comunicação

Comunicação das ruas e serviços públicos físicos e digitais precisam considerar o acesso de pessoas com menos habilidades digitais e facilitar o uso das interfaces.

Conselho da Pessoa idosa: instrumento de uma cidade amiga
Cidades inclusivas · Conselho

Conselho da Pessoa Idosa: instrumento de uma cidade amiga.

Criados pelo Estatuto da Pessoa Idosa e implementados na Política Nacional da Pessoa Idosa, o Conselho e o Fundo são as duas estruturas básicas que viabilizam o desenvolvimento de projetos sociais para a população 60+ em municípios e estados.

Garantir o bom funcionamento da articulação entre ConselhosFundos é a principal atitude administrativa que uma prefeitura ou governo estadual podem assumir para tornar a cidade ou o estado mais amigável às pessoas idosas.

O espectro de atuação do Conselho

Do mínimo ao transformador.

Os conselhos têm a responsabilidade de fazer a política pública de proteção e defesa da pessoa idosa acontecer de verdade nos municípios. São cinco os papéis fundamentais — de níveis crescentes de atuação:

1
Mínimo
2
Estratégico
3
Transformador
4
Articulador
5
Indutor
Mínimo
01

Aprovação de projetos sociais

Esse é o papel mínimo que se espera de um conselho. Nesses casos ele é apenas reativo e cartorial.

Estratégico
02

Definição de prioridades

O conselho assume um papel estratégico no município, deliberando sobre eixos e critérios claros de investimentos do Fundo da Pessoa Idosa.

Transformador
03

Capacitação das OSCs

Atitude transformadora — o conselho assume e oferece rodadas de capacitação para a proposição de projetos sociais pelas entidades do município.

Articulador
04

Articulação da rede de defesa

O conselho assume o papel de articulador de instituições públicas e privadas, facilitando parcerias e induzindo consórcios temáticos e territoriais.

Indutor
05

Indução da política pública

Conecta OSCs com empresas e estimula a publicação de Editais de projetos, garantindo um ecossistema produtivo e solidário no município.

Cada degrau exige mais maturidade institucional. Mas é justamente nessa progressão que um conselho deixa de ser burocrático e se transforma em motor de política pública para a pessoa idosa.

Fundo da pessoa idosa atuante e colaborativo – um objetivo a alcançar
Cidades inclusivas · Fundo da Pessoa Idosa

Fundo da Pessoa Idosa atuante e colaborativo.

Para operar com recursos do Imposto de Renda a Pagar de empresas e pessoas físicas, o Fundo precisa estar homologado na Receita Federal. Mas só isso não basta — é preciso garantir que a estrutura de promoção social do município esteja bem ajustada.

Receita Federal

A homologação do Fundo viabiliza a destinação direta pelo próprio sistema de declaração de renda — mas é só o ponto de partida. O ciclo virtuoso depende de quatro etapas integradas.

Como o Fundo opera

Quatro etapas, um ciclo virtuoso.

1
Conselho

Define prioridades

Identifica, com instituições, as prioridades sociais da população 60+.

2
Conselho

Estimula destinações

Empresas e pessoas físicas aportam recursos via renúncia fiscal no IR.

3
Fundo

Recolhe e administra

Recolhe recursos e cumpre trâmites sob orientação da MROSC.

4
Impacto

Política sai do papel

Projetos executados com impacto social relevante na vida dos 60+.

Autodiagnóstico Longeviver

A Plataforma criou um sistema próprio para aferir o funcionamento dos conselhos — vinculado à participação e compromisso dos conselheiros — que facilita a leitura das condições locais. Veja a seguir as áreas avaliadas.

Em que estágio está seu Conselho e Fundo?

7 áreas que precisam de atenção.

Reuniões do conselho

Muitos municípios relatam dificuldades em reunir periodicamente os conselheiros. O engajamento é fundamental para o sucesso das ações e dos projetos sociais.

Continuidade das ações

Renovar é importante, mas garantir a troca de experiências e formação permanente evita descontinuidade da política da pessoa idosa.

Capacitação e informação

Conselheiros precisam compreender a importância do conselho, aprofundar conhecimentos sobre responsabilidades e a destinação dos recursos do fundo.

Relacionamento com o poder público

O envelhecimento não espera. Conselho, Administração Municipal e secretarias precisam estar alinhados nos objetivos sociais, metas e prioridades.

A importância da sociedade civil

Os conselhos são paritários — a participação ativa de instituições sociais e cidadãos interessados é fundamental para definir ações e eixos temáticos.

Relacionamento com empresas

Os recursos vêm de 1% do IR de empresas (lucro real) ou 6% do IR de pessoas físicas. Manter destinadores informados dos impactos é essencial.

Trâmites administrativos ágeis

Processos bem desenhados na prefeitura tornam a destinação de recursos mais ágil e eficiente, com maior controle social. A população idosa ganha melhorias reais de qualidade de vida.

Por que isso importa?

As mudanças da realidade têm um ritmo muito mais rápido do que a burocracia oficial. Muitos projetos, quando executados, já estão defasados em tecnologias sociais e digitais, mudanças institucionais e até no engajamento das empresas e entidades originais. Além disso, enfrentam mudanças no poder e orientação da política local.

A pesquisa da Plataforma Longeviver em 2024 e 2025 mostra que, na maioria dos casos, há consciência de que as coisas precisam melhorar — independentemente do porte do município. E o caminho passa, antes de tudo, por investir nas pessoas.

Pesquisa 2024–2025O que os conselhos pedem para se fortalecer:

93%
Capacitação dos conselheiros como medida central. A formação continuada é condição básica para deliberar com segurança e assumir o papel de controle social.
74%
Cartilhas de orientação— materiais simples e padronizados que sirvam de referência no dia a dia dos conselhos.
64%
Rede de trocas entre Conselhos Municipais e o Conselho Estadual — muitos se sentem isolados, reinventando processos sozinhos.
52%
Modelos de documentos— atas, editais, resoluções. Mesmo com vontade política, falta segurança técnica para redigir conforme a legislação.

O fortalecimento dos Conselhos passa, antes de tudo, por investir nas pessoas. Quando isso acontece, o Fundo deixa de ser apenas um instrumento financeiro e se torna o motor de uma política pública viva, conectada e com impacto real na vida da pessoa idosa.

Conteúdo

Saiba mais: artigos e conteúdos para download

Estudos, análises e materiais aprofundados sobre envelhecimento, política pública e investimento social.

Acessar
Dados

Observatório de dados e indicadores

Visão territorial e perfil da população 60+ em todos os 5.570 municípios brasileiros, com filtros e comparativos.

Acessar